CÁ TE ESPERO...

Recordando... Augusto Casimiro... Poeta do Séc. XX

A EVOCAÇÃO DA VIDA


 


                                   Para LEONARDO COIMBRA


 


Viver!... E o que é a Vida?...


                                  – Atento, escuto


A primitiva e alta profecía…


E a escuta-la, a sonhar, vou resoluto,


Por caminhos de Amor, com alegria!


E vivo! E na minh'alma, a uma a uma,


Como num quebra mar de encantamentos,


Sinto as ondas bater, – ondas de espuma,


…Evocações, memorias, sentimentos…


 


Amo! – No meu Amor vivo a infinita,


A suprêma Belêsa, – sou  amado!...


E, pelo Sol que no meu peito habita,


Lucto! Sinto o Futuro á nossa espéra,


Vivo, na minha lúta, o meu Amor!...


E sinto bem que a eterna Primavéra


A alcançaremos só por nossa Dôr! 


Sôfro! E no meu sofrêr, nesta anciedade


Com que os meus olhos fitam o nascente,


Em devoção, em pranto, em  claridade,


– Sonha o meu coração de combatente…


 


Sofrêr, luctar, amar – , vida completa,


Piedosa, humilde e só de Amor ungida –


– Meu coração de amante e de Poeta


– Sente em si mesmo o coração da Vida!...


Sonho exaltado e puro, Amor tam grande,


Que me domina todo e me levanta


A's regiões em que o sentir se expande,


E o coração da Vida sonha e canta!


Vida profunda emocionando mundos,


Lagrimas que nos falam de ventura,


Olhos de amado, olhos de amar, profundos


Olhos de devoção e de ternura!...


Olhos que em tudo sentem a Beleza,


A perfeição e o Amor de Éla,


Amor em que se exalta a naturêza,


A fonte, a nevoa, a flor, a rocha, a estrêla!...


 


Amor que tudo envolve, e em que repoisa


O Mundo num regaço de emoção,


E em que se funde a mais humilde coisa


Ao mais sublime e forte coração!...


Vida que num sorriso se condensa,


Num beijo puro sobre um puro olhar,


Que se sorri, se beija… E rude, imensa,


Em plena luta sabe triunfar!...


Vida piedosa e fraternal, – erguida


Ao sol, a abençoar e a redimir –


E que batalha e vence – pela Vida –


As victorias radiantes do Porvir!...


 


 


1910


 


(Do Poemeto A Evocação da Vida)


 


In "Revista A Águia"


N.º 2 – 1.ª Série – Ano I – 15 de Dezembro de 1910


 


Augusto Casimiro


1889 – 1967


 


 


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