ANHÉLIA
A tarde finda. O Sol, numa agonia,
Morde a terra co' a boca chamejante...
Na loura paz d'um sonho edulcorante
Feérica a paisagem irradia.
Curvada sobre o peito a fronte mésta,
Branca e radiosa, Anhélia, a peregrina,
Como impelida pela mão da Sina,
Sonâmbula, caminha p’rá floresta.
In “Ave Azul” - Revista de arte e crítica
Fascículo n.º1 - 15.Janeiro.1899
Beatriz Pinheiro
(1872-1922)