CÁ TE ESPERO...

Recordando... Caetano da Costa Alegre

QUANDO EU MORRER


 


Não quero! Tenho horror que a sepultura


mude em vermes meu corpo enregelado.


Se no fogo viveu minha alma pura,


quero, morto, meu corpo calcinado.


 


Depois de ser em cinzas transformado,


lancem-me ao vento, ao seio da natura...


Quero viver no espaço ilimitado,


no mar, na terra, na celeste altura.


 


E talvez no teu seio, ó virgem linda,


tão branco como o seio da virtude,


eu, feito em cinzas, me introduza ainda.


 


E no teu coração, pequeno e forte,


(ó gozo triste!) viva eu na morte,


já que na vida lá viver não pude!


 


In “A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa”


Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho


Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto - 2004


 


Caetano da Costa Alegre


(1864-1890)

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