CÁ TE ESPERO...

Recordando... Camilo Castelo Branco

 


OS AMIGOS


 


Amigos, cento e dez, ou talvez mais,


Eu já contei. Vaidades que sentia:


Supus que sobre a Terra não havia


Mais ditoso mortal entre os mortais!


 


Amigos, cento e dez, tão serviçais,


Tão zelosos das leis da cortesia,


Que já farto de os ver me escapulia


Às suas curvaturas vertebrais.


 


Um dia adoeci profundamente:


Ceguei. Dos cento e dez houve um somente


Que não desfez os laços quase rotos.


 


– Que vamos nós – diziam – lá fazer?


Se ele está cego, não nos pode ver!...


– Que cento e nove impávidos marotos.


 


 


Camilo Castelo Branco


1825 – 1890


 


Gentilmente enviado por minha


Amiga/Irmã Maria Albertina


 

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