CÁ TE ESPERO...

Recordando... Camilo Pessanha

CREPUSCULAR


 


Há no ambiente um murmúrio de queixume,


De desejos de amor, d'ais comprimidos...


Uma ternura esparsa de balidos,


Sente-se esmorecer como um perfume.


 


As madressilvas murcham nos silvados


E o aroma que exalam pelo espaço,


Tem delíquios de gozo e de cansaço,


Nervosos, femininos, delicados,


 


Sentem-se espasmos, agonias d'ave,


Inapreensíveis, mínimas, serenas...


- Tenho entre as mãos as tuas mãos pequenas,


O meu olhar no teu olhar suave.


 


As tuas mãos tão brancas d'anemia...


Os teus olhos tão meigos de tristeza...


- É este enlanguescer da natureza,


Este vago sofrer do fim do dia.


 


In “Poemas de Amor”


Versões Ana Leal


Edição Alma Azul – Janeiro.2006


 


Camilo Pessanha


(1867-1926) 

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