CÁ TE ESPERO...

Recordando... Camilo Pessanha... Poeta do Séc. XIX

VIDA


 


Choveu! E logo da terra humosa


Irrompe o campo das liliáceas.


Foi bem fecunda, a estação pluviosa!


Que vigor no campo das liliáceas!


 


Calquem. Recalquem, não o afogam.


Deixem. Não calquem. Que tudo invadam.


Não as extinguem. Porque as degradam?


Para que as calcam? Não as afogam.


 


Olhem o fogo que anda na serra.


É a queimada... Que lumaréu!


Podem calcá-lo, deitar-lhe terra,


Que não apagam o lumaréu.


 


Deixem! Não calquem! Deixem arder.


Se aqui o pisam, rebenta além.


- E se arde tudo? - Isso que tem?


Deitam-lhe fogo, é para arder...


 


 


In "Clepsidra"


Colecção: Biblioteca Ulisseia de Autores Portugueses


Editorial Verbo


 


 


Camilo Pessanha


1867 – 1926


 

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