CÁ TE ESPERO...

Recordando... Cândida Ayres de Magalhães

MOCIDADE


 


Não ter amor, esperança ou fé que alente,


não ter sequer um bem que nos sorria,


nem consolo, nem paz... e não ter guia


na vida que promete e assim nos mente;


 


sentir, dentro de nós, sempre gemente,


o coração faminto de alegria,


como um cego que pela luz do dia


viva a chorar na sua noite ingente-;


 


bradar, erguendo os braços para a Morte:


“Em ti encontrarei quem me conforte;


Oh! leva quem não deixa uma saudade!...”


 


E volver-nos, de longe, a Morte: “É cedo,


és moço ainda, cumpre o teu degredo!”


Para quantos é isto a mocidade...


 


In “Antologia da Poesia Feminina Portuguesa”


Organizada por António Salvado


Edições JF (Jornal do Fundão)


 


Cândida Ayres de Magalhães


(1875-1964)

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