CÁ TE ESPERO...

Recordando... Carlos Queirós

DESAPARECIDO


 


Sempre que leio nos jornais:


«De casa de seus pais desapar’ceu...»


Embora sejam outros os sinais,


Suponho sempre que sou eu.


 


Eu, verdadeiramente jovem,


Que por caminhos meus e naturais,


Do meu veleiro, que ora os outros movem,


Pudesse ser o próprio arrais.


 


Eu, que tentasse errado norte;


Vencido, embora, por contrário vento,


Mas desprezasse, consciente e forte,


O porto do arrependimento.


 


Eu, que pudesse, enfim, ser eu!


- Livre o instinto, em vez de coagido.


«De casa de seus pais desapar’ceu...»


Eu, o feliz desaparecido!


 


In “Desaparecido e Outros Poemas”


Livraria Bertrand - 1950


 


Carlos Queirós


(1907-1949)

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