CÁ TE ESPERO...

Recordando... Cecília Vilas Boas

CORPO AUSENTE


 


Mistério, esse, o da vida...


Aquele que morre nos ponteiros do tempo


Das almas guardadas num oceano sem fundo


Porque os corpos já não comandam


Os dias que passam, inúteis...


 


Guardei no bolso o sonho


Porque nos olhos já não cabia!


Era grande demais, e os olhos são pequenos...


O bolso, é fundo e escuro


Acomoda a eternidade do que é utópico.


 


Tomo café, ainda assim, todas as manhãs


Com os raios de sol que cabem nas palmas das minhas mãos


E vêm plantar esperança na seiva que corre em mim.


 


E na sombra da minha silhueta


Planto o silêncio que o vento afaga


Trémulas, as minhas mãos? Não!


Fazem parte do meu corpo ausente


Que adormeceu, há muito, nos braços da terra.


 


In “O Eco do Silêncio” 


Editora Esfera do Caos   


 


Cecília Vilas Boas

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