NADA MAIS RESTA
Que mais posso dizer-te
se as palavras se desfazem
contra o muro de cal viva
do teu peito?
que mais te posso dar
nesta certeza de saber
que tudo dei de mim?
trago os olhos cansados
de olhar o horizonte
as mãos dormentes
de as erguer ao céu
os braços doridos
de procurar os teus
a luz apagou-se
o pano caiu
nada mais resta
que cinzas e olvido.
In “Opus - selecta de poesia em língua portuguesa”
Editora Temas Originais - 2018
Clara Maria Barata