CÁ TE ESPERO...

Recordando... D. Francisco Manuel de Melo

QUANDO SE VÊ DO MAL O QUE SE NÃO VIA DANTES


 


Se como haveis tardado, desenganos,


Vindes hoje de novo apercebidos,


A troco de vos ver tão prevenidos,


Dou-vos por bem tardados tantos anos.


 


Tardastes; e entretanto estes tiranos


Casos de Amor roubaram-me os sentidos.


Se alcançá-los quereis, bem que são idos,


Buscai-os pelo rastro dos meus danos.


 


Oh, segui-os, prendei-os, porque logo


Teme que foge, quem procura, alcança,


Pois é peso o temor, o gosto é vento.


 


E para quando os alcanceis vos rogo,


Não que façais me tornem a esperança,


Mas que sequer me deixem o escarmento.


 


 


Obras Métricas


 


In “Breve Antologia Poética do Período Barroco”


Livª. Civilização Editora – Porto e Contexto Editora – Lisboa


 


D. Francisco Manuel de Melo


1608 – 1666

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