CÁ TE ESPERO...

Recordando... D. Francisco Manuel de Melo... Poeta do Séc. XVII

ESCUSA-SE AO CÉU COM A CAUSA


                 DO SEU DELÍRIO


 


Pois se para os amares não foram feitos,


Senhor, aqueles olhos soberanos,


Porque, por tantos modos, mais que humanos,


Pintando os estivestes tão perfeitos?


 


Se tais palavras e se tais conceitos,


Tão divinas, tão longe de profanos


Não destes por oráculo aos enganos,


Com que Amor vive nos mais altos peitos,


 


Porque, Senhor, tanta beleza junta,


Tanta graça e tal ser lhe foi deitado,


Qual ídolo nenhum gozara antigo?


 


Mas como respondeis a esta pergunta?


Que ou para desculpar o meu pecado,


Ou para eternizar o meu castigo?


 


 


(Obras Métricas)


 


In "Breve Antologia Poética do Período Barroco"


Colecção Brevíssima


Liv. Civilização Editora e Contexto Editora


 


D. Francisco Manuel de Melo


1608 – 1666


 


 


 


 


 

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