CÁ TE ESPERO...

Recordando... Dalila Pereira da Costa

O CORAÇÃO E A BALANÇA


 


Ouvi dizer que em nós o mar futuro


é de cristal puro e não lavrado:


Cumpre assim caminhar ligeiro no ar,


a terra do ar ver e amar.


 


Harmonia desejada e louvada,


agora cantada nas esferas celestes;


antes na terra tão cobiçada


e nela tão mal realizada.


 


Iluminada pela aragem do infinito


e mostrando ainda as pegadas


do Anjo revelador,


- e eis o santo país das estrelas!


 


E me admites à tua presença,


e ao sumo mistério;


alegre nos lagares da dor


onde se esmaga o coração dos homens.


 


Pois é com factos e não com ideias


que se fazem as lágrimas.


Ao alto me acolhes: na mão esquerda


a balança, na direita meu coração.


 


A Justiça ao amor fazendo jus.


Eu digo: na Primavera, moitas


de rosas brancas olorosas


se constroem à beira de negros abismos.


 


In “O Novo Argonauta”


Fundação Lusíada


 


Dalila Pereira da Costa


(1918-2012)

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