CÁ TE ESPERO...

Recordando... Domingos Carvalho da Silva

A UMA OPERÁRIA JOVEM


 


Como a árvore que pode
dar apenas seu fruto,
floresces. E sobre a terra
amplias o horizonte de tua sombra.

Na fábrica as engrenagens
multiplicam o movimento
e as polias giram como vento
em remoinho.

Na fábrica os fatos
repetem-se como as estações,
as estrelas iguais de cada noite,
o pão fresco de todas as manhãs.

Teu sangue circula como a abelha
na órbita da rosa
e, como a água dos estanques, há de voltar
à fonte.

Na fábrica
os espelhos sonham com teu riso.

In “À Margem do Tempo”  



Domingos Carvalho da Silva


(1915- 2003)

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