CÁ TE ESPERO...

Recordando... Edmundo de Bettencourt

PAISAGEM VERDADEIRA


 


O verde tenro e vivo, de folhagem,


presépio dos meus sonhos, em menino,


pôs-se de luto a par do meu destino,


cego-me a vê-lo imagem de miragem.


 


Quando, iludido, o busco na ramagem,


já com seus tons mais brandos não atino.


E nesta escuridão, só me ilumino


vendo-o compor-me interior paisagem.


 


Paisagem de ouro verde, que de mim


sai alongada em foco para a terra,


a procurar vencer-lhe a cerração.


 


E onde num crepúsculo sem fim


tonta, a esperança, esvoaçando, erra


sobre torres de encanto e de traição!


 


In “Poemas de Edmundo de Bettencourt”


Assírio & Alvim


 


Edmundo de Bettencourt


(1889-1973)

0