NOCTURNO
Ao meio do canal submarino
a luz cegante é um anjo.
A suspenção do voo ampara...
Que fluido pelos circulos luminosos parados, correrá?
O sorriso escancarado da esfinge mergulhadora
vai mostrando, distante, a galeria óssea que deita
para as ameias dum castelo
com um deserto sem fim na rectaguarda.
Sentinelas de sangue esperam sempre a
sombra e a morte cobertas de ervas secas.
Na atracção do fundo,
aos pés da escadaria do escuro,
jaz a princesa, de verde, adormecida...
1934
In Revista “Pirâmide”
Nº 3 – Dezembro.1960 – Ano I
Pág. 44
Edmundo de Bettencourt
(1889-1973)