CÁ TE ESPERO...

Recordando... Edmundo de Bettencourt

NOITE VAZIA


 


Crescimento do silêncio a devorar as nuvens.


Voo incansável e monótono das aves brancas do cérebro.


Florida e ondulada suspensão da mágoa.


As ferocidades são ternuras desmaiando na estepe adivinhada.


O amor abre goelas bocejantes nos côncavos da ausência do espaço.


E a morte espreitando a lentidão


irradia baçamente a sua despedida.


 


Noite vazia.


 


As aves brancas do cérebro


inutilmente abatem as suas asas!


 


1934


 


In Revista “Pirâmide”


Nº 3 – Dezembro.1960 – Ano I


Pág. 44


 


Edmundo de Bettencourt


(1889-1973)

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