CÁ TE ESPERO...

Recordando... Eduíno de Jesus

POEMA DO AMOR DESESPERADO


 


Espera um pouco (até que o amor de todo nos destrua!)
Amanhã, amanhã é que esta história há-de ser contada.
Então, da nossa vida e amores, não haverá mais nada
Do que um fantasma branco balouçando à lua.



Mas é agora que tudo é verdadeiro. Amanhã, quando
Não houver de nós ambos nem o nome escrito
Em letras de pedra numa pedra num canto do mundo,
Nina, quem saberá o que foi o nosso amor profundo?
O nosso amor maldito?
O nosso amor tão grande?



É preciso, é preciso dar notícia aos grandes profetas do futuro!
(Não vão depois dizer que o nosso amor era pecado...)
Não havia nenhum muro, e para trazer calado
O mundo,  é que os dois, a pedra e lágrimas, levantámos a
                      [enorme e intransponível sombra deste muro!


 


 


 


In «O Futuro em Anos-Luz»
Antologia de Poesia Portuguesa
Sel.e org. Valter Hugo Mãe
Edições Quasi


 


Eduíno de Jesus


N. 1928

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