CÁ TE ESPERO...

Recordando... Eugénio de Andrade

AS PALAVRAS


 


São como um cristal,


as palavras.


Algumas, um punhal,


um incêndio.


Outras,


orvalho apenas.


 


Secretas vêm, cheias de memória.


Inseguras navegam:


barcos ou beijos,


as águas estremecem.


 


Desamparadas, inocentes,


leves.


Tecidas são de luz


e são a noite.


E mesmo pálidas


verdes paraísos lembram ainda.


 


Quem as escuta? Quem


as recolhe, assim,


cruéis, desfeitas,


nas suas conchas puras?


 


 


 


Eugénio Andrade


1923 – 2005


In Antologia Breve, 1972,


5ª Edição, Limiar, 1985


 


 


 


 

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