CÁ TE ESPERO...

Recordando... Eugénio de Andrade

CANÇÃO


 


Tu eras neve.


Branca neve acariciada.


Lágrima e jasmim


no limiar da madrugada.


 


Tu eras água.


Água do mar se te beijava. 


Alta torre, alma, navio,


adeus que não começa nem acaba.


 


Eras o fruto


nos meus dedos a tremer.


Podíamos cantar


ou voar, podíamos morrer.


 


Mas do nome


que maio decorou,


nem a cor


nem o gosto me ficou.


 


In “As palavras Interditas - Até Amanhã”


Assírio & Alvim


 


Eugénio de Andrade **


(1923-2005)


 


** Pseudónimo de José Fontinhas

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