CÁ TE ESPERO...

Recordando... Eugénio de Andrade

O ANJO DE PEDRA


 


Tinha os olhos abertos mas não via.


O corpo era todo saudade


De alguém que o modelara e não sabia


Que o tocara de maio e claridade.


 


Parava o seu gesto onde pára tudo:


No limiar das coisas por saber


- e ficara surdo e cego e mudo


Para que tudo fosse grave no seu ser


 


In “As Mãos e os Frutos”


Editora Limiar – 9.ª Edição – 1980


 


Eugénio de Andrade **


(1923 - 2005)


** Pseudónimo de José Fontinhas

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