CÁ TE ESPERO...

Recordando... Eugénio de Andrade

METAMORFOSES DA CASA


 


Ergue-se aérea pedra a pedra


a casa que só tenho no poema.


 


A casa dorme, sonha no vento


a delícia súbita de ser mastro.


 


Como estremece um torso delicado,


assim a casa, assim um barco.


 


Uma gaivota passa e outra e outra,


a casa não resiste: também voa.


 


Ah, um dia a casa será bosque,


à sua sombra encontrarei a fonte


onde um rumor de água é só silêncio.


 


In “Ostinato Rigore”


Assírio & Alvim


 


Eugénio de Andrade **


(1923-2005)


 


** Pseudónimo de José Fontinhas

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