CÁ TE ESPERO...

Recordando... Fernando Assis Pacheco

QUE IMPORTA


 


Muitas vezes te esperei, perdi a conta,


longas manhãs te esperei tremendo


no patamar dos olhos. Que importa


que batam à porta, façam chegar


jornais, ou cartas, de amizade um pouco


- tanto pó sobre os móveis da tua ausência.


 


Se não és tu, que me importa?


Alguém bate, insiste através da madeira,


que me importa que batam à porta,


a solidão é uma espinha


insidiosamente alojada na garganta.


Um pássaro morto no jardim com neve.


 


In “A Musa Irregular”


Edições Asa


 


Fernando Assis Pacheco


1937 – 1995

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