CÁ TE ESPERO...

Recordando... Fernando Cabrita

FALEMOS


 


Falemos então de todas essas coisas a que nunca soubemos dar um nome.


Coisas como café e cerejas,


coisas como memórias do verão de ontem


e de tudo o que repousa já no ónix frio dos dias.


falemos não porque as vejamos,


porque as sentimos à vaga luz dos crepúsculos que morrem


e são para nós as florestas que passam velozes nos vidros do carro


e os silêncios dos faunos que atravessam os bosques e as ilusões


e as pequenas ondas que vêm desmaiar à praia


e as vozes antigas que ainda nos falam na alma coisas despercebidas


e as luas que havia no final do verão.


Falemos, para que de novo sejam


e de novo vivam.


 


Falemos, para que estejamos vivos.


 


In "Doze Poemas de Saudade"


4 Águas Editora


 


Fernando Cabrita


(N.1954)

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