CÁ TE ESPERO...

Recordando... Fernando Pessoa

BÓIAM LEVES, DESATENTOS


 


Bóiam leves, desatentos


Meus pensamentos de mágoa,


Como, no sono dos ventos,


As algas, cabelos lentos


Do corpo morto das aguas.


 


Bóiam como folhas mortas,


À tona de águas paradas.


São coisas vestindo nadas,


Pós remoinhando nas portas


Das casas abandonadas.


 


Sono de ser, sem remédio,


Vestígio do que não foi,


Leve mágoa, breve tédio,


Não sei se para, se flui,


Não sei se existe ou se dói.


 


 


“Cancioneiro”


 


In “Fernando Pessoa – Antologia Poética”


3ª. Edição – Biblioteca Ulisses de Autores Portugueses


Editora Ulisses


 


Fernando Pessoa


1888 – 1935


 

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