CÁ TE ESPERO...

Recordando... Fernando Pessoa

RUBAIYAT


 


O fim do longo, inutil dia ensombra.


A mesma sp’rança que não deu se escombra,


Prolixa… A vida é um mendigo bebado


Que extende a mão á sua propria sombra.


 


Dormimos o universo. A extensa massa


Da confusão das cousas nos enlaça,


Sonhos; e a ebria confluencia humana


Vazia echoa-se de raça em raça.


 


Ao goso segue a dôr, e o goso a esta.


Ora o vinho bebemos porque é festa,


Ora o vinho bebemos porque ha dôr.


Mas de um e de outro vinho nada resta.


 


 


In “Contemporanea” – Grande Revista Mensal


Director – José Pacheco


Editor – Agostinho Fernandes


Volume I – N.os 1 – 2 – 3


Maio – Junho – Julho 1922


 


 


Fernando Pessoa


1888 – 1935


 


 


Mantém a grafia original

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