PASSOS TARDAM NA RELVA
Passos tardam na relva
Entre o luar e o luar,
Tudo é eflúvio e selva.
Sente-se alguém passar.
Passa, pisando leve
O chão que o luar desmente,
Num pálido hausto leve
De pisar levemente.
É elfo, é gnomo, é fada
A forma que ninguém vê?
Oiço: não houve nada.
Sinto, e a saudade crê.
5-9-1933
In “Poemas Esotéricos - Fernando Pessoa”
Assírio & Alvim
Fernando Pessoa
(1888-1935)