CÁ TE ESPERO...

Recordando... Fernando Pessoa

PASSOS TARDAM NA RELVA


 


Passos tardam na relva


Entre o luar e o luar,


Tudo é eflúvio e selva.


Sente-se alguém passar.


 


Passa, pisando leve


O chão que o luar desmente,


Num pálido hausto leve


De pisar levemente.


 


É elfo, é gnomo, é fada


A forma que ninguém vê?


Oiço: não houve nada.


Sinto, e a saudade crê.


 


5-9-1933


 


In “Poemas Esotéricos - Fernando Pessoa”


Assírio & Alvim


 


Fernando Pessoa


(1888-1935)

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