CÁ TE ESPERO...

Recordando... Fiama Hassa Pais Brandão

A PORTA BRANCA


 


Por detrás desta porta,


uma de todas as portas que para mim se abrem e se fecham,


estou eu ou o universo que eu penso.


Deste meu lado, dois olhos que vigiam


os fenómenos naturais, incluindo a celeste mecânica


e as sociedades humanas, sedentárias e transumantes.


 


Mas podem os olhos fazer a sua enumeração,


e pode o pensado universo infindamente ir-se,


que para mim o que hoje importa


é aquela olhada vaga porta.


 


Que ela seja só como a vejo, a porta branca,


com duas almofadas em recorte,


lançada devagar sobre o vão do jardim,


onde o gato, por uma fenda aberta


pela sua pata, tenta ver-me,


tão alheio a versos e a universos.


 


 


In “Cenas Vivas”


Editora Relógio d´Água


 


Fiama Hassa Pais Brandão


1938 – 2007


 

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