CÁ TE ESPERO...

Recordando... Florbela Espanca

À MORTE


 


Morte, minha Senhora Dona Morte,


Tão bom que deve ser o teu abraço!


Lânguido e doce como um doce laço


E, como uma raiz, sereno e forte.


 


Não há mal que não sare ou não conforte


Tua mão que nos guia passo a passo,


Em ti, dentro de ti, no teu regaço


Não há triste destino nem má sorte.


 


Dona Morte dos dedos de veludo,


Fecha-me os olhos que já viram tudo!


Prende-me as asas que voaram tanto!


 


Vim da Moirama, sou filha de rei,


Má fada me encantou e aqui fiquei


À tua espera... quebra-me o encanto!


 


(Reliquiæ,1934)


 


In “Sonetos de Florbela Espanca”


Colecção Autores Portugueses de Ontem


Edição da Livraria Estante – Junho.1988


 


Florbela Espanca


(1894-1930)

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