CÁ TE ESPERO...

Recordando... Florival de Passos

VAGABUNDO


 


E já sem alma, morto o sentimento


No seu destino incerto pelo mundo


Tem o amargo sorrir do vagabundo


Que despreza o seu próprio sofrimento.


 


E já não sente algum encantamento,


E não o aquece a luz do sol fecundo.


Morreu no seu olhar, triste e profundo,


O sonho que durou um só momento.


 


Existe na aridez da sua vida


Uma mágoa sem nome, incompreendida,


Que o faz tão só, seguindo para além…


 


É destino cruel não ser amado.


Mas sofre mais, é mais atormentado


Aquele que não pode amar ninguém.


 


In “Para além…“


Edição do Autor


Funchal - 1942


 


Florival de Passos


(1915-1989)

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