CÁ TE ESPERO...

Recordando... Francisco de Pina e Melo

SOLILÓQUIO


 


Já que o sol pouco a pouco se desmaia


E meu mal cada vez mais se desvela,


Enquanto a pena, a ânsia, a mágoa vela,


Quero aqui estar sozinho nesta praia.


 


Que bravo o mar se vê! Como se ensaia


Na fúria e contra os ares se rebela!


Como se enrola! Como se encapela!


Parece quer sair da sua raia.


 


Mas também que inflexível, que constante


Aquela penha está à força dura


De tanto assalto e horror perseverante!


 


Ó empolado mar, penha segura,


Sois a imagem mais própria e semelhante


De meu fado e da minha desventura.


 


In “Rimas”


 


Francisco de Pina e Melo


(1695-1773)

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