AO LARGO
(fala de uma mulher)
Nem terra
nem aves,
nem nada que eu saiba
- só água, só água
que se não acaba.
E o céu
e o mar
fiando uma linha
- lá de longe, tão longe
que mal se define.
Um medo
desperto
na minha garganta
- pergunta, pergunta:
por que vais adiante?
Mas vou
que há um homem
de quem sou metade
- e por ele, por ele,
esta cruz me cabe.
In "Amaranto - poesia 1951-1983"
INCM - Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Glória de Sant’Anna
(1925 -2009)