CÁ TE ESPERO...

Recordando... Guilherme de Faria

SERENAMENTE


 


Serenamente, lembro o meu passado:


Das suas esperanças nada espero,


E sorrio ao seu mal desesperado


Como ao bem das promessas, que não quero.


 


Que hoje, da vida, só desejo a calma


Da indiferença, num sorriso aberto…


E na certeza de que tudo é incerto,


Descansa as tuas dúvidas, pobre alma!


 


Do teu cansaço e tua dor, descansa!


É neste brando enlevo que eu te quero,


Sorrindo ao fumo duma nova esperança


Como à ilusão dum novo desespero.


 


In “Desencanto”


 


Guilherme de Faria


(1907-1929)

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