PROTESTO
Dizias: «É assim mesmo, a alma não existe;
a vida é esta só, a outra é puro engano;
Inferno e Céu e Deus jamais nos causam dano,
freio que mal contém a humanidade triste...»
Eu, crente, protestei, mas logo tu sorriste,
da tua má doutrina ainda fôste ufano...
Enganas a tia mesmo, és cego, pobre insano,
tão fácil te é negar aquilo que não viste!?
Verás acaso a dor dum sonho que é desfeito?
Já viste o coração que pulsa no teu peito?
Quem nega a inteligência e onde a vemos nós,
é coisa que se apalpe e agarre? Não por certo.
Nunca mais negues Deus: repara mais de perto
na própria natureza, escuta a sua voz...
IN "Sinfonia da Terra"
Liv. Edit. Educação Nacional – Porto – 1943
Isaura Matias de Andrade