CÁ TE ESPERO...

Recordando... Ivone Chinita

POEMA TREMENDO


 


Do tremendo poema que já fiz


ou antes do tremendo poema ficaram


gestos poucos diluídos


no ar pesado para respirar


como cinzenta era a ilha


e tremenda a solidão dos passos


deslocados sob os pés de


marinhante


 


a tristeza da criança


sentada ao meu lado


ocultando as nódoas da blusa


 


a roupa inevitável pendurada


nas cordas


a dor nas costas da mãe


lavando uma vida toda


lavando uma vida toda


 


mas tremenda, tremenda mesmo


é esta tarde parada


em que não temos coragem


de soprar no vento


 


In “Outra Versão da Casa”


Edições Base


 


Ivone Chinita


(1943-1983)

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