Padre Nosso
Pai nosso, de todos nós,
Que todos somos irmãos;
A Ti erguemos as mãos
E levantamos a voz:
A Ti, que estais no Céu,
E nos lanças com clemência,
Do vasto estrelado véu
Os olhos da Providência!
Bendito, santificado
Seja o Teu nome, Senhor!
Inviolável, sagrado
Na boca do pecador!
E venha a nós o Teu reino!
Acabe o da vil cobiça!
Reine o amor, a justiça
Que pregava o Nazareno;
De modo que seja feita
A Tua santa vontade,
Sempre a expressão perfeita
Da justiça e da verdade!
Seja feita assim na terra
Como no Céu onde habita
Esse, cuja mão encerra
A criação infinita!
O pão nosso nesta lida
De cada dia nos dá…
Hoje, e basta; a luz da vida
Quem sabe o que durará!
E perdoa-nos, Senhor,
As nossa dívidas; sim!
Grandes são, mas é maior
Essa bondade sem fim!
Assim como nós (se é dado
Julgar-nos também credores),
Perdoamos de bom grado
Cá aos nossos devedores.
E não nos deixes, bom Pai,
Cair, nunca, em tentação;
Que o homem, por condição,
Sem o teu auxílio cai!
Mas tu, que não tens segundo
E muito menos igual,
Dá-nos a mão neste mundo,
Senhor! Livra-nos do mal!
João de Deus
1830 – 1896