CÁ TE ESPERO...

Recordando... João Lúcio

SENSAÇÕES DESCONHECIDAS


 


Há tanta sensação que não conheço,


tanto vibrar de nervos que não sinto;


e, contudo, parece que os pressinto,


apesar de ver bem que os desconheço.


 


A sensação que tem, à noite, o ar,


Quando o orvalho o toca, em beijos de água


é, porventura, irmã daquela mágoa


que sente, quando chora, o meu olhar?!


 


Tem, porventura, alguma semelhança


a sensação de um cravo numa trança


com a ânsia de quem morre afogado?


 


E fico-me a pensar: que sentirá


uma vidraça quando o Sol lhe dá


e a rasga a mão da luz, de lado a lado?...


 


In “A Circulatura do Quadrado”


Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa,


Edições Unicepe 2004


 


João Lúcio


(1880-1918)

0