CÁ TE ESPERO...

Recordando... João Luís Barreto Guimarães... Poeta Contemporâneo

DENTRO DA PEDRA


 


Cedo ao rastro de restos que


me tenta até ti


(pernas de nylon vazias


sapatos


desafogados)


metades desirmanadas que


arrumo no poema. Posso


disturbar


o teu espaço? Entrar e ficar a ver?


Estás


sob a linha d'água


(gume


que fere o mamilo)


como um escultor pergunto


com a precisão de poros


pela


mulher dentro da pedra.


Desenrolas da torneira o


novelo que te veste


(o


corpo em repouso contem


a soma dos movimentos)


lavo-te


até ao teu cheiro até


respirar de ti


o


perfume verdadeiro.


 


 


In "Rés-do-Chão"


Editora Gótica


 


João Luís Barreto Guimarães


N. 1967


 


 


 

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