CÁ TE ESPERO...

Recordando... Jorge Gomes Miranda

SEMENTEIRA


 


Com um garfo


separava


para uma saca de plástico


arroz,


pedacinhos de pescada,


carapau, chicharro;


as espinhas deitava-as ao lixo.


O melhor do conduto


era sempre para os gatos.


Semelhante ao poeta


que guarda a parte maior


da sua vida,


as palavras,


para o leitor.


 


In “Velhos”


Editora Teatro de Vila Real, 2008


 


Jorge Gomes Miranda


(N. 1965)

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