CÁ TE ESPERO...

Recordando... Jorge Reis-Sá

PAI, A MINHA SOMBRA ÉS TU


 


a cadeira está vazia, um corpo ausente


não aquece a madeira que lhe dá forma


 


e não ouço o recado que me quiseste dar


nem a tua voz forte que grita meninos


na hora de acordar


ouço o teu abraço, no corredor em gaia


e os olhos molhados pela inusitada despedida


 


o sol foge


mas o crepúsculo desenha a sombra que


tenho colada aos pés


ou o espelho, coberto com a tua face


 


pai, digo-te


a minha sombra és tu


 


 


In “A Palavra no Cimo das Águas”


Colecção Campo da Poesia


Campo das Letras – Lisboa – 2000


 


Jorge Reis-Sá


N. 1977

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