É NO SUL ONDE ME DEMORO
É no sul onde me demoro.
Há uma varanda em frente onde espero o
entardecer,
essa hora mais lenta,
limiar da noite e do coração, quando soam os
punhais.
Estranhas são as nuvens deste céu litoral.
Passam, param,
soltam-se em intoleráveis figuras,
animais do vento, altíssima visão.
à esquerda é o caminho para o areal.
Do outro lado alguém toca,
os dedos ferem as cordas,
florescem as notas de um lamento distante.
Quantas noites estarei aqui,
nesta varanda do sul,
no entardecer destes países,
nas cordas de um cântico mortal?
In "Morrer no Sul"
Assírio & Alvim (1983)
José Agostinho Baptista
(N.1948)