CÁ TE ESPERO...

Recordando... José Carlos Ary dos Santos

SONETO DO TRABALHO


 


Das prensas dos martelos das bigornas


das foices dos arados das charruas


das alfaias dos cascos e das dornas


é que nasce a canção que anda nas ruas.


 


Um povo não é livre em águas mornas


não se abre a liberdade com gazuas


à força do teu braço é que transformas


as fábricas e as terras que são tuas.


 


Abre os olhos e vê. Sê vigilante


a reacção não passará diante


do teu punho fechado contra o medo.


 


Levanta-te meu Povo. Não é tarde.


Agora é que o mar canta é que o sol arde


pois quando o povo acorda é sempre cedo.


 


"Vinte Anos de Poesia"


 


In “Obra Poética”


Edições Avante


 


José Carlos Ary dos Santos


1937 – 1984

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