CÁ TE ESPERO...

Recordando... José Emílio-Nelson

AUTOBIOGRAFIA


 


Algumas poucas tabernas, velho armário,


cão de folhas,


árvores do escuro ladram,


eu corro pelas páginas no focinho do cão.


A garrafa. O gin gira


e fere-me lábios e aviva o vinho velho.


Velho vidro. Espalha o espelho (as palavras


no charco do álcool).


Nunca o coração bebe,


a árvore ondulante bebe,


o coração obscuro vive a violência


do meu ponto de vista,


mas habita-me


na confissão


se os cães da retórica velhos


correm contra a pele,


quando as lágrimas os soltam


e as páginas inesperadamente se derramam.


E o meu armário fala, fantasma arborescente.


Em vez de um lírio, as minhas fezes na boca,


a espuma da copa. Álcool.


É o mar.


Choro assombrado.


 


 


In “Vida Quotidiana e Arte Menor “ – 1993


Editora Gota de Água


 


José Emílio-Nelson **


N. 1948


 


 


** Pseudónimo literário de José Emílio de Oliveira Marmelo e Silva,


 

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