CÁ TE ESPERO...

Recordando... José Fanha

PARA A CRISTINA COMO TUDO


 


Hás-de chegar com o corpo


Encostado ao rosto


Da cidade.


 


Com teus olhos


Decididamente tristes


Vens tomar a minha mão


Dar-lhe o gosto das cerejas


E levá-la ao teu


Mais secreto descaminho.


 


Hás-de chegar


Nas asas do silêncio


Tão mansa como a tarde


Que se esvai


Entornando sobre o chão


O perfil agudo das paredes.


 


Chegas hoje ou amanhã


Quem sabe?


Hás-de chegar de surpresa


Como sempre


Desviando o sentido dos relógios


E pedindo que o desejo


Se vista de veludo.


 


In “Elogio dos Peixes, das Pedras e dos Simples”


Campo das Letras


 


José Fanha


(N.1951)

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