CÁ TE ESPERO...

Recordando... José Régio

LÁGRIMA


 


Sem que eu a esperasse,


Rolou aquela lágrima


No frio e na aridez da minha face.


Rolou devagarinho...,


Até à minha boca abriu caminho.


Sede! o que eu tenho é sede!


Recolhi-a nos lábios e bebi-a.


Como numa parede


Rejuvenesce a flor que a manhã orvalhou,


Na boca me cantou,


Breve como essa lágrima,


Esta breve elegia.


 


In “Filho do Homem”


Portugália Editora


 


José Régio **


(1901 – 1969)


 


** Pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira

0