CÁ TE ESPERO...

Recordando... José Régio

NARCISO


 


Dentro de mim me quis eu ver. Tremia,


Dobrado em dois sobre o meu próprio poço...


Ah, que terrível face e que arcabouço


Este meu corpo lânguido escondia!


 


Ó boca tumular, cerrada e fria,


Cujo silêncio esfíngico bem ouço!


Ó lindos olhos sôfregos, de moço,


Numa fronte a suar melancolia!


 


Assim me desejei nestas imagens.


Meus poemas requintados e selvagens,


O meu Desejo os sulca de vermelho:


 


Que eu vivo à espera dessa noite estranha,


Noite de amor em que me goze e tenha,


...Lá no fundo do poço em que me espelho!


 


In “Poesia II”


INCM – Imprensa Nacional Casa da Moeda


 


José Régio **


(1901 – 1969)


 


** Pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira


 


 


 


 

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