CÁ TE ESPERO...

Recordando... José Saramago

CIRCO


 


Poeta não é gente, é bicho coiso


Que da jaula ou gaiola vadiou


E anda pelo mundo às cambalhotas,


Recordadas do circo que inventou.


 


Estende no chão a capa que o destapa,


Faz do peito tambor, e rufa, salta,


É urso bailarino, mono sábio,


Ave torta de bico e pernalta.


 


Ao fim toca a charanga do poema,


Caixa, fagote, notas arranhadas,


E porque bicho é, bicho lá fica,


A cantar às estrelas apagadas.


 


In “Os Poemas Possíveis”


Editorial Caminho


 


José Saramago


1922 – 2010

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