CÁ TE ESPERO...

Recordando... Judith Teixeira

ROSAS VERMELHAS


 


Que estranha fantasia!


Comprei rosas encarnadas


às molhadas


dum vermelho estridente,


tão rubras como a febre que eu trazia...


- E vim deitá-las contente


na minha cama vazia!


 


Toda a noite me piquei


nos seus agudos espinhos!


E toda a noite as beijei


em desalinhos...


 


A janela toda aberta


meu quarto encheu de luar...


- Na roupa branca de linho,


as rosas,


são corações a sangrar...


 


Morrem as rosas desfolhadas...


Matei-as!


Apertadas


às mãos-cheias!


 


Alvorada!


Alvorada!


Veio despertar-me!


Vem acordar-me!


 


Eu vou morrer...


E não consigo desprender


dos meus desejos,


as rosas encarnadas,


que morrem esfarrapadas,


na fúria dos meus beijos!


 


In “Decadência”


 


Judith Teixeira **


(1880-1959)


 


** Judite dos Reis Ramos Teixeira

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