CÁ TE ESPERO...

Recordando... Judith Teixeira **

A ESTÁTUA


 


O teu corpo branco e esguio


Prendeu todo o meu sentido...


Sonho que pela noite, altas horas,


Aqueces o mármore frio


Do alvo peito entumecido...


 


E quantas vezes pela escuridão


A arder na febre de um delírio,


Os olhos roxos como um lírio


Venho espreitar os gestos que eu sonhei...


 


- Sinto os rumores duma convulsão,


A confessar tudo que eu cismei


 


Ó Vénus sensual!


Pecado mortal do meu pensamento!


Tens nos seios de bicos acerados,


Num tormento,


A singular razão dos meus cuidados


 


In "Noite luarenta" 1922


 


Judith Teixeira **


(1880-1959)


 


** Pseudónimo de Judite dos Reis Ramos Teixeira

0