CÁ TE ESPERO...

Recordando... Lídia Borges **

DESLIZAR PARA O POEMA E FICAR DE PÉ


 


Deslizar para o poema e ficar de pé,


imóvel sobre as imagens unicolores


dos cansaços,


deslembrados frutos e festas


de junhos calcinados em dispersão


pelas mãos. E os ouvidos atentos


ao murmúrio crescente da noite.


Não fosse oásis o teu olhar,


Cama, teus braços de amparar,


almofada de penas o teu peito.


Não fosses igual a um poema que


nos conduz ao carmim da tarde. Suavemente.


À casa onde se retoma pelos sentidos


na barca perene da memória,


a mesma de ontem, de hoje,


de amanhã ...


 


Não se ensombre o mar em olhos fatigados.


 


In “Garças” 


Poética Edições


 


Lídia Borges **


(N.1956)


 


** Pseudónimo de Olívia Maria Barbosa Guimarães Marques

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