DESLIZAR PARA O POEMA E FICAR DE PÉ
Deslizar para o poema e ficar de pé,
imóvel sobre as imagens unicolores
dos cansaços,
deslembrados frutos e festas
de junhos calcinados em dispersão
pelas mãos. E os ouvidos atentos
ao murmúrio crescente da noite.
Não fosse oásis o teu olhar,
Cama, teus braços de amparar,
almofada de penas o teu peito.
Não fosses igual a um poema que
nos conduz ao carmim da tarde. Suavemente.
À casa onde se retoma pelos sentidos
na barca perene da memória,
a mesma de ontem, de hoje,
de amanhã ...
Não se ensombre o mar em olhos fatigados.
In “Garças”
Poética Edições
Lídia Borges **
(N.1956)
** Pseudónimo de Olívia Maria Barbosa Guimarães Marques